Infográfico discreto explicando plicomas anais e remoção cirúrgica a laser e convencional

Pouco se fala sobre os plicomas anais, mesmo sendo uma condição que afeta o cotidiano de muitas pessoas. Confesso que já vi muitos pacientes chegarem ao consultório já cansados de desconfortos e insegurança ao lidar com esse problema. Por isso, acredito que falar sobre o assunto, de forma clara e objetiva, pode mudar a relação com o próprio corpo e abrir portas para o bem-estar.

O que são plicomas anais?

No dia a dia, percebo como existe confusão entre plicomas e outras doenças da região anal. Na prática, trata-se de pequenas dobras de pele, geralmente moles e de coloração semelhante à pele normal, que surgem ao redor do ânus. São lesões benignas, mas podem incomodar bastante.

Essas dobras não estão relacionadas a tumores ou infecções.

Embora não sejam perigosas, chamam atenção por seu aspecto e, em alguns casos, causam desconforto direto na higiene e autoestima. 

Principais causas do surgimento

Na minha experiência, os motivos do aparecimento costumam variar:

  • Pós-hemorroidas: Após crises de hemorroidas, veias inchadas rompem e deixam excesso de pele ao cicatrizar.
  • Constipação crônica: O ato de forçar para evacuar pode contribuir para a formação dessas dobras.
  • Diarreia prolongada: A irritação repetida da pele pode estimular o crescimento desses tecidos.
  • Gravidez: Mudanças vasculares e pressão aumentada na região anal durante a gestação são fatores comuns, principalmente após o parto.
  • Predisposição individual: Algumas pessoas têm pele mais solta ou predisposição genética.

Em alguns casos, nem mesmo se encontra uma causa definida, mas percebo que o histórico de doenças anais, especialmente hemorroidas, é comum.

Sintomas mais frequentes

Na maioria das vezes, os plicomas não doem, sangram ou causam sintomas graves. Mas muitas pessoas relatam:

  • Sensação de pele solta ou presença de “bolinhas” ao redor do ânus
  • Coceira e irritação recorrentes
  • Dificuldade na higiene anal após evacuações
  • Desconforto ao sentar ou praticar exercícios
  • Vergonha e constrangimento, principalmente com a aparência

É importante lembrar que o plicoma, em si, não é uma infecção, mas pode dificultar a higiene e abrir portas para inflamações ou fissuras.

Quando a remoção dos plicomas anais é recomendada?

Ao longo dos anos, vi muitos pacientes se perguntando se deveriam conviver com essas dobras ou buscar a remoção. Nem sempre é necessário operar, mas há casos em que isso faz sentido.

É fundamental diferenciar entre indicação funcional e desejo estético.

Indicação funcional

Quando os plicomas dificultam a higiene adequada, aumentam o risco de inflamações frequentes ou provocam desconforto físico relevante, a remoção passa a ser considerada por indicação médica. Já orientei pacientes que, por manterem resquícios fecais devido à dificuldade de limpeza, acabavam desenvolvendo infecções recorrentes, fissuras e até abscessos na região.

Indicação estética

Nem todos buscam a cirurgia por sintomas físicos. Muitos procuram orientação médica porque os plicomas afetam a autoestima, a intimidade e o bem-estar emocional. Nesses casos, oriento sobre os prós e contras do procedimento, respeitando sempre a escolha individual, desde que a remoção seja segura.

Casos em que NÃO é preciso operar

Quando os plicomas são pequenos, não causam sintomas ou não incomodam, costumo recomendar apenas higiene cuidadosa e acompanhamento. Muitas vezes, basta conhecer o próprio corpo e entender que não há risco algum de transformação maligna.

Como é feita a remoção de plicomas anais?

Quando indicado o procedimento para retirada dos plicomas, gosto de explicar detalhadamente cada etapa, pois sei que o desconhecido muitas vezes assusta.

Existem diferentes métodos para essa cirurgia: a remoção convencional com bisturi, ou técnicas com uso de energia, como o laser.

Procedimento cirúrgico tradicional

Antes do procedimento, realizo avaliação clínica detalhada, com exame físico, esclarecimento de dúvidas e orientação sobre anestesia e cuidados prévios.

  • Anestesia local ou geral, dependendo do caso e do volume de lesões.
  • Demarcação da pele e assepsia rigorosa do local.
  • Remoção delicada do excesso de pele com bisturi ou tesoura cirúrgica.
  • Pontos para fechamento das áreas ressecadas (em geral, poucos pontos, absorvíveis).

O tempo de cirurgia é curto, geralmente entre 20 e 40 minutos, conforme o número e o tamanho dos plicomas.

Técnica com laser: diferença e vantagens

Nos últimos anos, o uso do laser tem sido bem aceito. Em minha rotina, vi resultados bastante positivos com essa técnica para casos selecionados.

  • Corte do tecido por vaporização, sem necessidade de bisturi físico.
  • Menor sangramento, já que o laser promove coagulação dos pequenos vasos ao mesmo tempo.
  • Redução do tempo de cirurgia e menor necessidade de pontos.
  • Recuperação tende a ser mais rápida, com menos dor e inflamação.

As duas técnicas têm bons resultados quando bem indicadas, e a escolha depende do perfil do paciente, tamanho e localização dos plicomas e recursos disponíveis.

Recuperação após a cirurgia: o que esperar?

Eu sempre reforço que o pós-operatório faz parte do resultado final. O período de recuperação costuma ser tranquilo, mas requer dedicação do paciente para evitar contratempos. Vou listar os principais cuidados e sensações que costumam surgir:

  • Desconforto leve a moderado: O paciente pode sentir dor, ardência ou sensação de repuxo nos primeiros dias, controlável com analgésicos comuns.
  • Cuidados com curativo: Normalmente, recomendo lavar com água e sabão neutro, secar suavemente e usar pomadas conforme prescrição.
  • Higiene após evacuação: Uso de ducha higiênica ou lenços umedecidos sem álcool facilitam a limpeza.
  • Evitar esforço físico intenso: Nos primeiros 7 a 14 dias, é prudente evitar atividades físicas, levantar peso ou exercícios que pressionem a região anal.
  • Alimentação rica em fibras: Para evitar constipação e reduzir o esforço ao evacuar, a dieta deve privilegiar frutas, legumes, verduras e água.

Em geral, o afastamento do trabalho dura de 3 a 7 dias para atividades leves, podendo chegar a 2 semanas se o serviço envolver muito esforço físico.

Tempo de cicatrização e retorno à rotina

A cicatrização completa costuma acontecer em 3 a 4 semanas. A partir da segunda semana, a maioria das pessoas já se sente confortável para voltar à rotina, exceto atividades muito intensas, que devem ser liberadas apenas com orientação médica.

Como evitar a recidiva dos plicomas?

Vejo que, após o procedimento, dúvidas sobre o retorno dos plicomas são comuns. Embora a retirada seja definitiva naquele local, novos plicomas podem surgir se não forem feitos alguns ajustes nos hábitos.

Evitar novos plicomas depende sobretudo de cuidados simples no cotidiano.
  • Evite forçar ao evacuar. Se tiver intestino preso, procure corrigir a alimentação e ingerir mais água.
  • Não segure a vontade de ir ao banheiro, nem espere crises de dor ou desconforto.
  • Mantenha higiene cuidadosa da região anal (preferencialmente com água morna e sabão neutro).
  • Procure assistência médica ao primeiro sinal de hemorroidas, fissuras ou desconforto anal persistente.
  • Mantenha peso saudável e evite ficar muito tempo sentado.

Já vi muitos relatos positivos de quem fez pequenas mudanças no dia a dia e nunca mais voltou a ter o problema.

A importância dos hábitos de higiene e saúde

Falar de higiene pode soar simples, mas, sob minha ótica, é parte essencial para prevenir não apenas plicomas, mas várias outras doenças da região anal.

  • Lavar a região anal sempre após evacuações (priorizando água morna e sabão quando possível).
  • Usar roupas íntimas de algodão e evitar calças muito apertadas, para permitir boa ventilação.
  • Secar cuidadosamente a pele, sem irritar.
  • Evitar uso exagerado de papel higiênico, que pode lesar a pele delicada do local.

Aliando a higiene a uma dieta balanceada e um bom funcionamento intestinal, o risco de recidiva e de surgimento de problemas anais diminui muito.

Possíveis complicações e quando procurar avaliação médica

Apesar de ser um procedimento considerado simples, todo ato cirúrgico envolve riscos. Em minha prática, as complicações mais incomuns incluem:

  • Sangramento fora do padrão nas primeiras 48h
  • Infecção do local (vermelhidão, pus, febre)
  • Retardo na cicatrização (especialmente em pessoas com diabetes ou imunossuprimidas)
  • Dor intensa que não melhora com analgésicos
  • Formação de estenose (estreitamento do canal anal, raro em técnicas modernas)

Se surgir alguma dessas situações, é essencial buscar avaliação médica especializada rapidamente para evitar evolução desfavorável.

Benefícios da remoção cirúrgica: qualidade de vida em primeiro lugar

Após acompanhar dezenas de pacientes, o que mais me marca é o alívio que relatam após o procedimento. A cirurgia dos plicomas apresenta impactos positivos em diferentes esferas:

  • Facilidade para manter a higiene e prevenir infecções repetidas
  • Conforto para sentar, caminhar e praticar exercícios
  • Melhora na autoestima e confiança, inclusive na vida sexual
  • Liberdade de roupas: adeus ao medo de marcar calças justas ou biquínis
Conforto, higiene e autoestima caminham juntos na decisão de remover os plicomas anais.

Para mim, informar e acompanhar quem decide buscar esse cuidado é um privilégio. Quando feito com orientação adequada e escolha da técnica mais compatível com cada paciente, o resultado costuma ser liberdade e confiança renovadas.

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Dra. Grasiela Scheffel

Sobre o Autor

Dra. Grasiela Scheffel

A Dra. Grasiela Scheffel é especialista em Coloproctologia e Cirurgia Geral, atuando nas cidades de Passo Fundo e Marau, no Rio Grande do Sul. Seu trabalho distingue-se pela dedicação ao atendimento humanizado, discrição e uso de técnicas minimamente invasivas, como cirurgia robótica, videolaparoscopia e procedimentos a laser. Seu compromisso está em proporcionar conforto, bem-estar e privacidade a seus pacientes, tratando questões íntimas com seriedade e acolhimento.

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